A PRIMEIRA (E GENEROSA) RESENHA SOBRE MEU LIVRO! ME EMOCIONEI!
Silvia Anspach
Gente! Antes de dizer o que é preciso, que fique clara uma coisa: Não estou exagerando nem mentindo nem rasgando seda nem fazendo demagogia. Acabo de ler um dos melhores livros que já li em toda a minha vida (quem me conhece, sabe que não foram poucos e que sou muito exigente). É o romance recém-lançado,Todos os Pecados, do autor Elias de Araújo, com quem eu tive contato só agora, por meio da CL no Facebook. Sem exagero e sem mentira novamente, eu não tinha tempo para nada, mas criei o tempo para conseguir lê-lo porque era impossível parar. O livro é tão arrebatador, que me obrigou a roubar, sem hesitação, tempo e condições para lê-lo em pouco mais de dois dias. A leitura desafiou o escuro e a falta de luz – li à luz de velas – obrigações imperiosas, meu sono (sábado e ontem deitei de madrugada e acordei cedo para lê-lo), minha rotina. Pulei até o almoço de ontem e jantei muito rapidamente.
Elias cria personagens tão vivos e verdadeiros, que a gente os vê como velhos conhecidos, empatiza ou antipatiza fortemente com eles, torce e reza por seu destino. São personagens que nada têm de planos ou achatados. Têm volume, se transformam, evoluem, surpreendem como verdadeiros seres humanos. A trama é densa, tecida a partir de capítulos e cenas que, em si mesmos, já seriam contos completos. E belíssimos. Mas, apesar desta relativa independência entre as partes, cada secção prepara cuidadosamente a outra e “pensa” no todo, formando um enredo complexo, denso e tenso, cheio de predições e de suspense. A estruturação do enredo evoca a técnica de Dostoiévski em Crime e Castigo, a de Truman Capote em A Sangue Frio, a de Werfel em A Canção de Bernadette. As situações-limite têm sutis ecos de Nelson Rodrigues e de Eça de Queiroz (e, é claro, novamente Dostoiévski). Tem a densidade e profundidade da tragédia grega, no sentido filosófico e estético que define este gênero. O folhetim flerta com a estruturação da trama, com a composição das personagens e com a temática (temática esta que tem parentesco com a abordada por James Baldwin e George Lamming, entre outros). Reflexões de natureza metafísica e ética surgem de . Reflexões de natureza metafísica e ética surgem de maneira crítica, jamais maculadas por qualquer preconceito ou julgamento unilateralista.
Apesar da forte emoção que permeia cada escolha feita pelo autor, nada resvala para o piegas ou para o melodrama. O realismo e a verossimilhança não configuram a obra como mera imitação do real, mas sim como um texto verdadeiramente literário, no qual a poesia costura a narrativa com beleza, numa linguagem simples, fluente e “gostosa”. Assim, apesar dos ecos de inúmeras vozes literárias e possíveis influências ou diálogos intertextuais, o livro é absolutamente original e criativo. A voz do autor é única e incisiva. Elias é simplesmente, totalmente, absolutamente Elias. Elias-autor, Elias-alma, Elias-luz.
Elias de Araújo, prazer em te conhecer e obrigada por me conceder o privilégio de ter uma experiência de fruição estética tão agradável, catártica e transformadora. Saí totalmente iluminada e renovada, a partir da viagem pela sua escritura de mestre. E de irmão nessa trajetória de vida por este planeta humano e divino.





